O
momento da compra de um patins quase sempre é um
momento de grandes dúvidas: Qual modelo? Que marca?
Necessidade de investimento? Tamanho? Peças de reposição?
Estas são algumas das questões que envolvem
a compra, e que quase sempre, são debatidas entre
os patinadores.
Este guia é uma compilação feita por
Renato Serra a partir de diversas trocas de mensagens realizadas
na lista de discussão da Rioinline. Através
das respostas de diversos participantes da lista, principalmente
Rogério Ribeiro e Claudio Bernard.
Os Tipos de Patins
Recreação – Indicados
para o uso esporádico de crianças ou adultos
leves. Com excessão de rodas e rolamentos, todo o restante
do patins é em plático reforçado, portanto
reduzindo drasticamente a durabilidade, eficiência,
agilidade e velocidade. Muitas pessoas optam por este tipo
de patins por serem mais lentos e mais baratos. Porém
vale lembrar que o “motor” do patins é
a perna do patinador, e que se o novo patinador tomar gosto
pela patinação, vai fatalmente querer trocar
de patins em pouco tempo. Quanto menos preso for o patins,
mais fácil de andar! E vou além: um patins muito
lento tira um pouco o prazer da patinação. Porém,
com o devido cuidado e uso em superfícies lisas como
tábua corrida e granito, estes patins ganham uma sobrevida
considerável. Eles são usados, por exemplo,
pela equipe de limpeza do Barrashopping há mais de
dois anos, doze horas por dia, sem serem substituídos.
Preço do Mercado: Entre
R$ 199,90 e R$ 330,00.
Fitness
– É o verdadeiro patins de passeio, estando a
grande maioria dos patinadores encaixada neste perfil. O Patins
de fitness é identificado por dois aspectos principais
(base e bota), até por um leigo. Eles têm a base
de alumínio aeronáutico e a bota com cadarço.
Eles custam um pouco mais caro que os patins de recreação,
mas as vantagem são inúmeras. O Conforto da
bota é muito maior, mesmo após horas de uso
(os patins de recreação parecem confortáveis,
mas deixam de ser com o uso prolongado), até pelo fato
de que a bota prende os pés em três pontos: presilha
superior na canela, o velcro ou presilha no calcanhar e o
cadarço na parte da frente. A base de alumínio
ajuda na estabilidade, agilidade, eficiência e velocidade
do patins, ou seja, o patinador tem muito mais controle do
que em um patins de recreação. Preço
de Mercado: Entre R$ 330,00 e R$ 999,90.
Slalom
– Patins ágil para driblagem de cones e para
dança sobre patins. O Patins de Slalom é
muito parecido com um patins de fitness, porém nele
o pé fica preso mais firmemente, as bases são
reforçadas e mais curtas e ele não possui freio
no calcanhar, obrigando o patinador freiar de outras formas.
O patins de slalom é projetado para suportar
movimentação lateral brusca, sem que o pé
perca apoio. É o patins perfeito para driblar cones,
curvas acentuadas e dança sobre patins.
Radical
– Patins para execução de manobras de
impacto, deslize e saltos, na rua, halfpipe ou skatepark.
Também conhecidos como Agressivo (Agressive)
ou Street. Estes patins possuem uma bota reforçada
para impacto, duas ou quatro rodas pequenas por pé
e uma base com uma abertura no meio para deslizar. Se o patinador
pretende realizar manobras em skatepark, halfpipe ou simplesmente
andar pela rua saltando, deslizando, descendo corrimão,
então este é o patins certo. Eles não
possuem e nem podem possuir freio no calcanhar.
Velocidade
– Patins de competição de velocidade,
em circuitos fechados (pista ou indoor) ou de rua. O Patins
de velocidade é identificado pela bota que se assemelha
a uma chuteira de futebol, porém feita com composto
de fibra de carbono, uma base de alumínio de alta tecnologia
anti-fricção e rodas grandes, normalmente de
100mm. Usar um patins deste tipo requer treinamento específico
pois não há boa sustentação no
tornozelo. Eles não possuem freio no calcanhar. A Rio
Inline possui uma das melhores equipes do Brasil (veja
os campeonatos que participamos clicando aqui). Se este
é o seu objetivo, consulte nosso técnico Lyon
Aragão.
Gelo
– Patins para patinar no Gelo. Podem ser patins de recreação,
fitness, artístico ou velocidade, porém ao invés
de rodas, possuem lâminas.
Artístico
– Patins para danças e apresentações
estilo ballet. Podem ser Inline ou Quad-skates (tradicional
com rodinhas paralelas). Os Patins artísticos quad-skates
não devem ser utilizados em asfalto; são projetados
para uso em cimento liso ou tábua corrida.
Rodas
de Plástico – Evite de comprá-los!!!
Patins com rodas de plástico não desenvolvem
velocidade, atrapalham o aprendizado da técnica, não
substituem peças, derrapam excessivamente, provocam
quedas por falta de controle, podem criar lesões por
esforço excessivo, principalmente em crianças
em crescimento. Eles não proporcionam qualquer prazer
ao patinar. Cuidado na hora da compra, pois pode ser o barato
que sai caro! Estes patins podem custar mais de R$ 200,00,
dando a falsa impressão que são patins adequados
para o uso.
Materiais, Componentes e Peças
Botas
Podem ser Softboot (botas macias) ou Hardboot
(botas duras). As hardboot são usadas em patins
de recreação, alguns de slalom e quase todos
de radical; são caracterizadas por serem de plástico
reforçado. As Softboot podem ser de nylon,
couro ou outro material e se assemelha a um tênis.
Rodas
As rodas de patins são feitas de um composto chamado
poliuretano. A cor da roda nada mais é que o corante
usado na fabricação, que facilita muitas vezes
a dureza da roda (mais macia ou mais dura). Não existe
roda de silicone ou de gel, as rodas ficam transparentes por
esta ser a cor do composto. Elas variam entre 64mm e 76mm
para recreação, 76mm e 100mm para fitness, 50mm
e 60mm para radical, 90mm e 110mm para velocidade e 76mm a
84mm para slalom.
A
dureza da roda também pode influenciar em performance
e durabilidade. Numa superficie lisa, uma roda mais dura terá
mais velocidade e maior durabilidade (porém menos estabilidade).
Numa superfície irregular, uma roda mais macia dá
maior conforto ao patinador, porém menor durabilidade.
A dureza é informada na roda, acompanhada pela letra
A. Por exemplo, uma roda com dureza 85A é mais dura
que uma roda com dureza 78A.
Rolamentos
São identificados normalmente pela presença
da sigla ABEC, que significa “Annular Bearing Engineering
Committee”. Os rolamentos com certificação
ABEC são classificados entre ABEC 1, ABEC 3, ABEC 5,
ABEC 7 e ABEC 9. Os rolamentos ABEC são rolamentos
de precisão, sendo os ABEC 9 fabricados no mais alto
padrão de precisão, sendo os ACEC 1, os de menor
precisão. A diferença física (o que não
podemos afirmar quanto a qualidade do rolamento) entre os
ABECs não influencia em NADA a velocidade, a não
ser que o patinador esteja a uma velocidade superior a 500km/h
(o record de Downhill está na faixa de 100 km/h!).
As diferentes tolerâncias no sistema ABEC são
destinadas a máquinas de alta rotação
(acima de 32000rpm). As quatro perguntas da classificação
ABEC são: O quanto o diâmetro do orifício
central do rolamento é próximo de 8mm (em microns),
o quanto o diâmetro total do rolamento é próximo
a 22mm (em microns), o quanto a largura entre o limite interno
e o externo é próximo de 7mm (em microns) e
a precisão da rotação (em microns).
Bom,
agora que não temos mais o mito para atrapalhar, podemos
ajudar a escolher o rolamento ideal. O mais importante é
atentar para o fabricante dos rolamentos, o material utilizado
na fabricação, o lubrificante e a quantidade
de bilhas. A melhoria do desempenho de um rolamento no patins
está principalmente ligado a fricção.
Quanto melhor o lubrificante, menos fricção,
materias como cerâmica diminuem a fricção,
quanto menos bilhas, menos fricção, etc.
Para
tanto, em busca de performance, opte por um rolamento de série
especial, desenvolvido exclusivamente para patins ou para
skates, sem se preocupar com a classificação
ABEC. Os mais usados para este fim são os rolamentos
fabricados com a metodologia de precisão suiça
(swiss precision), que nem classificação ABEC
têm. Os melhores rolamentos em termos de velocidade
são os Ceramics.
Bases
Bases
curtas ajudam na agilidade e poder de manobra do patins; bases
longas ajudam no equilíbrio e na velocidade do patins.
Bases de plástico podem empenar ou amolecer com o tempo,
até mesmo com o peso de um adulto normal, especialmente
em locais quentes (calor 40 ºC no Rio de Janeiro!). Este
fenômeno faz com que o desempenho do patins caia consideravelmente.
As bases de alumínio (alumínio aeronáutico)
não sofrem com este efeito, além de serem mais
firmes e gerantirem uma resposta mais precisa do patins. Recomenda-se
sempre que possível o uso de bases de alumínio
aeronáutico.
O
ideal é que o patins tenha a furação
padrão 165mm, UFS (Universal Frame System)
ou não, pois as bases são intercambiáveis
com bases de corrida, gelo e radical, por exemplo. Caso a
base não obedeça este padrão, ela só
é substituível por ela mesma, e caso seja rebitada
(presa a bota), o patins fica inutilizado em caso de quebra
ou defeito. Sempre que possível compre um patins com
base intercambiável, ainda que você não
ache necessário hoje.
Avaliando
e Escolhendo o Patins
- Depois de decidir qual o tipo de patins a ser utilizado,
o próximo passo é experimentar todos os modelos
que se encaixam no seu perfil de compra.
-
Leve sempre com você uma meia. Caso esqueça,
peça ao vendedor que lhe empreste uma, até porque
1mm pode ser a diferença entre conforto, folga ou aperto!
-
Existe um MITO de que deve-se comprar um
patins dois tamanhos maior do que o pé da pessoa. Este
fato não procede! Não dê ouvidos!!!
Observe as dicas abaixo para acertar na compra de seu patins.
-
Peça SEMPRE o seu número como se fosse a compra
de um tênis. Caso fique folgado ou apertado, aí
sim, começe a fazer ajustes, pedindo para experimentar
um patins maior ou menor, até achar o tamanho certo.
Assim como os tênis, bermudas e outras coisas, existem
formas maiores, menores, mais estreitas, mais largas, variando
de marca para marca, fabricante para fabricante ...
-
Ao calçar o patins, posicione o calcanhar o mais atrás
que conseguir, e daí então, prenda o cadarço,
a presilha ou velcro do calcanhar e a presilha da canela.
A tendência natural do pé é ir para frente
ao calçar um patins, portanto temos que forçá-lo
para trás antes de prendê-lo. Caso o patins não
tenha a presilha ou o velcro que prende o calcanhar, opte
por outro modelo. Esta é a amarração
mais importante do patins! Existe alguns modelos no mercado
que não vêm com nada para segurar o calcanhar.
-
Levante a perna segurando o patins no chão. Este teste
é para verificar se o calcanhar não está
solto. Caso esteja solto, verifique se o patins está
preso corretamente ao pé, presilhas, velcro, cadarço...
Se mesmo após os ajustes o calcanhar continuar solto,
opte por outro modelo ou tamanho.
-
Verifique se há mobilidade nos dedos do pé.
O ideal é que haja mobilidade mas sem ter um vão
muito grande entre os dedos e a ponta do patins. Se o espaço
for muito grande, o patinador perde controle proporcionalmente.
-
No caso de crianças, procure um patins com tamanho
ajustável, pois assim o patins estará sempre
no tamanho correto. Caso opte por um outro modelo sem regulagem,
compre o mais próximo possível do tamanho real
do pé da criança e compense este vão
com o uso de mais meias ou de bolsa de algodão na ponta
do patins.
-
Um patins muito grande no pé gera bolhas, feridas,
desconforto e requer um esforço excessivo para fazê-lo
andar. Um patins muito apertado gera extremo desconforto,
feridas e calos.
-
Normalmente a espuma interna de um patins não cede
como em um tênis, porém há excessões.
Se o desconforto for em cima do pé, logo atrás
da articulação dos dedos, use bolas de jornal
ou papel para alargar a área e deixe pernoitar, alguns
desconfortos laterais, apertos no calcanhar e na canela também
vão embora com o uso.
-
O patins que fica bem em você pode não ser o
melhor patins para outra pessoa e vice versa. Portanto a opinião
mais importante na compra de um patins é a sua!!!
As Marcas do Mercado
As duas maiores marcas de patins no Brasil hoje são
a Powerslide e a Traxart. Fora do Brasil há outras
marcas como a Rollerblade, K2, ...
A
Powerslide é uma marca alemã, uma das maiores
do mercado europeu. Ela projeta os patins na Alemanha e terceriza
a fabricação sob sua supervisão. A Powerslide
é especializada em patins de velocidade, slalom e radical
(sob as marcas USD, Xsjado, Deshi, Undercover, Kizer, Chimera,
Sifika e outras). Os patins de Fitness são
de ótima qualidade, especialmente os da nova linha
Phuzion. Os destaques de Fitness
da Powerslide são o F1, o Z1, bem como os reguláveis
Lucy e Billy. Não podemos deixar de mencionar o novo
modelo do Cell II (com as cores da Rioinline!!!).
A
Traxart
é uma marca brasileira. Os patins da Traxart são
mais voltados para a Recreação, porém
alguns bons modelos de fitness como o Joker e o Nitro estão
presentes na linha. Além destes modelos, possuem patins
para iniciantes na modalidade radical e em 2008 a novidade
foi o lançamento de patins fitness com rodas de 100
mm (acompanhando tendência do mercado externo).
A
Rollerblade é uma marca americana, pioneira em patins
inline. Ela projeta os patins nos Estados Unidos e terceriza
a fabricação sob sua supervisão. A Rollerblade
é especializada em patins fitness e radical (sob a
marca TSR). A Rollerblade está entre as marcas mais
conceituadas no mundo.
Outras
marcas como K2, Fila, Roces, Bauer, Rems... disputam o mercado
internacional e também projetam bem seus patins. Importar
diretamente um par de patins desses pode ser muito mais caro
do que se imagina, pois a tributação é
bem pesada. Infelizemente, a marca Salomon se retirou do mercado
de patinação.
Cuidado
com marcas aventureiras presentes no mercado. Antes de comprar
um patins de marca desconhecida, pergunte a um especialista
antes de efetuar a compra. Para
saber onde comprar patins clique aqui! |