Técnica de reta na patinação de velocidade
Ramiro Riveros Laserna
Técnico Seleção Brasileira de Patinação de Velocidade

Ramiro é colombiano, licenciado em Educação Física e atualmente dedica-se ao treinamento de nossa seleção de patinação de velocidade. Colocamos o texto em "portunhol" evitando alterar qualquer expressão do autor. Estaremos a cada semana inserindo uma matéria nova do Ramiro, aguardem! A próxima será sobre características do desenvolvimento das crianças.


Foto: www.photoegrafia.com.br

A técnica de reta e uma série de movimentos cíclicos executados na mesma direção com trajetória numa linha reta. Nesta o objetivo principal é aplicar a força necessária sobre os patins para alcançar uma maior efetividade na ação de fricção com o chão na fase do empurre.

Para falar de técnica de reta e importante voltar à matéria anterior onde falamos do CG (centro de gravidade). Fator importante para ter uma posição básica do patinador boa. Aqui, a base de sustentação, centro de gravidade, linha de gravidade e pontos de apoio são fundamentais para a execução de uma boa passada na reta.

A posição básica do patinador parte de um adequado posicionamento dos pés ou patins, estes têm que estar à mesma largura do quadril BS (base de sustentação), tornozelo flexionado a 60º e joelhos a 90º, o CG deve estar no espaço entre a segunda e terceira roda dos patins e bem no meio dos patins, a isto chamamos LG (Linha de Gravidade), os ombros, joelhos e patins, devem estar alinhados ao desenhar uma linha imaginaria entre estes três pontos, os três pontos devem estar dentro desta linha reta (pontos de apoio).

O tronco pode estar ligeiramente jogado para o frente e o abdômen podem estar perto as coxas com uma flexão de 70º, deste jeito o patinador sentirá menor tensão no corpo, permitindo um menor desgaste de energia.

No deslizamento na reta o CG se desloca de um lado para outro. Passa por fora da BS (patins em apoio com o chão), de tal jeito que a LG deve descer justo ao lado do patins que se encontra em contato com o chão até lograr uma inclinação alinhada em sentido contrário ao empurrão dos patins e por ação deste.

Quando se termina o empurre se inicia um balanço ou retorno do CG passando pelo centro da BS sem parar e continuando o deslocamento até passar ao lado contrário.

O deslocamento do CG é só lateral e não em altura já que os pontos de apoio devem manter na mesma altura estável e equilibrada.

A técnica para patinar na reta eu a divido em quatro fases:

  • Empurre externo (fora da base de sustentação)
  • Empurre interno (dentro da base de sustentação)
  • Puxada ou recobro
  • Zancada - "passo largo" e apoio

 

1. Empurre externo

Foto 1

Empurre lateral e paralelo

É a ação que exerce o peso do corpo; pelo desequilíbrio e deslocamento da LG, de adentro para fora sobre o patins de uma das extremidades inferiores para a fricção do chão, mantendo as quatro rodas dos patins sob o chão e deslizando o patins paralelamente da base de sustentação (Foto 1), ao terminar esta fase os pontos de apoio ombro, joelho, patins devem estar alinhados e a LG deve passar pelo joelho (Foto 2).

Foto 2 

Pontos de apoio

É importante que no empurre seja aplicada uma força a qual será providenciada pelo músculo abdutor,  o patins deve-se manter reto para poder aplicar toda a força nas rodas e não sob as articulações do joelho ou tornozelo, ao aplicar a força realmente esta fazendo um empurre e não um deslizamento.

Quando a primeira roda se mexe primeiro, quer dizer que esta deslizando e não empurrando. Quando acontece isto é bom que peça para o patinador enfocar fazer a força no calcanhar até que a articulação do joelho esteja esticada.

Na fase final do movimento e recomendável terminar com as quatro rodas sob o chão, paralelas ao outro patins,  o tornozelo só se estica no começo da puxada.

Na seta azul da Foto 1 se vê como a passada vai paralela de dentro para fora na seta verde como as quatro rodas fazem fricção sob o chão ao mesmo tempo.

Foto 3

Linha de gravidade

Na Foto 2 , a setas marca os pontos de apoio, alinhados no momento final do empurre.

A Foto 3 a seta marca a linha de gravidade  (LG)

2. Empurre interno

É a ação que exerce o peso do corpo; pelo deslocamento do CG durante a fase de empurre externo, que faz que o patins se desloque de fora para adentro de uma das extremidades inferiores, com fricção nas quatro rodas dos patins sob o chão, aproximando ao patins a base de sustentação, mantendo os pontos de apoio alinhados.               

Foto 4

 

O movimento se inicia no momento que termina o empurre externo.

A força é aplicada pelo músculo adutor sobe a parte interna das rodas do patins.

O patins deve seguir uma trajetória reta e se deve evitar fazer uma inclinação externa durante a execução, já que a inclinação é do corpo e não do patins.

Tem que concentra-se em aplicar força para deslocar o CG e não os ombros.

Analisando a Foto 4 a patinadora tem um bom deslocamento da LG e esta da justamente na parte externa do patins de apoio (linha vermelha)

 

 

Foto 5

 

Na Foto 5 se percebe que o patins dela este reto ao ombro, joelho e tornozelo (pontos de apoio) e a inclinação do patins esta dada pelo balanceio.  

3. Puxada ou recobro

O recobro e a continuação do movimento de empurre externo e este vinculado ao movimento de empurre interno já que no instante de começo deste a puxada faz o mesmo pela ação dos músculos adutores.

A extremidade a ser puxada faz uma extensão do tornozelo ao final do empurre externo (Foto 6), depois faz uma adução de quadril com uma ligeira e corta flexão do joelho, aproximando o joelho na parte posterior do outro joelho facilitando a que o empurre interno seja longo.

 

 

Foto 6

Extensão do tornozelo

O patins deve ficar junto ao calcanhar formando uma linha de equilíbrio. Não exagerar na adução na puxada, já que esto fará que o patins ultrapasse a linha de equilíbrio provocando uma limaitação na inclinação do corpo, e afetando posteriormente o apoio, já que este não será feito reto mas sim com uma inclinação do patins ao externo do CG. ( Foto 7)

Na puxada a perna deve ser movimento desde o quadril acompanhado pelo joelho e o tornozelo. O movimento certo na puxada fará que o apoio seja feito justo na linha de começo do empurre.

 

Foto 7

linha de Equilíbrio

 4. A zancada - "passo largo"

Foto 8

E uma fase de projeção do joelho na frente mantendo sua flexão na articulação, esta começa ao final da fase de puxada depois de uma pausa. Ao descer o patins este tem que ficar na mesma linha de trajetória do patins de apoio e que esta iniciando a fase de empurre externo.

Ao terminar o empurre a zancada deve estar no final da fase, de tal jeito que a zancada se da durante o empurre externo ate que as quatro rodas façam contato com o chão.

O patins deve se apoiar reto numa flexão do tornozelo e joelho,  com as quatro rodas no mesmo tempo e com um impulso do corpo para o frente, evitando virar o patins para o borde externo (seta vermelha). No momento do apoio a ultima roda do patins deve estar na frente da primeira roda do patins que está na fase final do empurre e no começo da puxada (extensão do tornozelo) (Foto 8)

 

Aqui falamos de cada uma das fases, segmento por segmento, com o aprendizado destes fundamentos restaria só à mistura deles, coordenando todos e vinculando um a um para ir à procura de uma boa técnica e sincronismos dos empurres, já que como site antes uma fase esta precedida por outra, assim quando termina o empurre externo imediatamente começa o empurre interno e a puxada.

De tal jeito que aprendendo os fundamentos restaria entrar na sincronia deles.

Fale com Ramiro Riveros, tire suas dúvidas, envie um comentário, ...

 
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